Sim, é um choque. Ainda mais para alguém que é crítico de primeira hora da sua recondução ao cargo. Mas a entrevista do técnico da Seleção ao SporTV mostrou um Dunga mais equilibrado. Mais humilde também, disposto a aprender até com o freguês Chile. É verdade que nem todo o caos saiu dele, como na admissão de considerar o retorno de Fred. Mas melhorou.
Em cerca de duas horas Dunga teve a chance de responder perguntas boas, normais e fracas (oi, Roger). Não subiu o tom, não ironizou o perguntador, não fugiu das respostas, não queimou jogadores e passou alguns dos seus critérios sem soar como gênio incompreendido. Voltou a admitir alguns erros, o que já tinha sido um passo positivo, mas pareceu mais sincero.
Também falou bem sobre novas lideranças, o que talvez tenha sido resultado de alguma terapia. Já não parece um alucinado por capitães como ele próprio foi. “As lideranças de hoje evoluíram, não são como as da minha época. São jogadores alegres, descontraídos, mas que na hora que importa trabalham sério”, disse, ao reconhecer Neymar como um desses líderes.
Dunga também defendeu os técnicos brasileiros com um conceito interessante. Para ele, os brasileiros entendem de tática tanto quanto os europeus. A diferença, segundo ele, é que os jogadores se sentem mais obrigados a respeitarem as decisões táticas no exterior, já que os treinadores têm mais opções e podem deixá-los de fora do time se não obedecerem.
As seis vitórias acumuladas no cargo pouco importam, ao contrário do que ele acredita. As feridas do 7 x 1 estão abertas e não fecharão, no mínimo, até o próximo título mundial. Mas ao menos Dunga deu sinais de que um eventual novo fracasso não virá dos mesmos erros e arrogância que ele teve na Copa do Mundo de 2010. No país do Mineirazo, isso já é um alento.
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